Casamento homoafetivo cresce em São Paulo e reforça visibilidade LGBTQIA+
- Silvana Schultze
- 15 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+, um novo levantamento da Fundação Seade lança luz sobre um avanço importante: o crescimento consistente dos casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo no Estado de São Paulo. De 2013 a 2024, mais de 37 mil uniões homoafetivas foram oficializadas, com aumento expressivo na participação desse tipo de casamento no total de uniões registradas — de 0,7% em 2013 para 1,8% em 2024. Além dos números, os dados apontam para transformações culturais significativas, com mais reconhecimento, visibilidade e direitos conquistados pela população LGBTQIA+.
O protagonismo feminino se destaca nesses dados. Em 2024, 65% dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo foram entre mulheres, mostrando que elas lideram esse movimento de afirmação no registro civil. Essa presença maior pode refletir tanto a busca por estabilidade jurídica e emocional quanto uma resposta à invisibilidade histórica das relações entre mulheres lésbicas e bissexuais.
Outro aspecto importante revelado pela pesquisa é o rejuvenescimento das uniões. A idade média ao casar caiu para todos: entre homens, passou de 38,6 anos em 2013 para 36 em 2024; entre mulheres, de 36,2 para 34,1 anos. Isso pode indicar que os casais homoafetivos estão se sentindo mais seguros para assumir seus relacionamentos oficialmente em uma idade mais jovem, possivelmente refletindo mudanças sociais, maior aceitação e uma legislação mais consolidada em defesa de seus direitos.
A maioria das pessoas que se casaram entre 2013 e 2024 era solteira: 91% entre os homens e 84% entre as mulheres. No entanto, também há uma presença relevante de pessoas divorciadas, especialmente entre os casais femininos (14%), o que pode sugerir trajetórias de vida mais complexas e o reencontro com o amor após experiências heterossexuais anteriores.
A análise regional também traz nuances interessantes. A Baixada Santista apresenta a maior idade média entre os homens que se casam com outros homens (39,5 anos), enquanto Jundiaí lidera entre as mulheres (36,3 anos). Em outras regiões, como São José do Rio Preto e Sorocaba, os casamentos tendem a ocorrer em idades mais jovens. Um dado curioso aparece nas regiões de Jundiaí e São José do Rio Preto: nelas, as mulheres se casam, em média, mais tarde que os homens, algo que foge à tendência geral.
Esses dados não são apenas estatísticas: representam histórias de afeto, luta e conquista. O crescimento dos casamentos homoafetivos é um reflexo do esforço contínuo da população LGBTQIA+ por igualdade de direitos e reconhecimento pleno de suas existências e vínculos. Em tempos de avanços e retrocessos, é fundamental dar visibilidade a esse tipo de informação — não apenas em junho, mas o ano todo. Afinal, cada união registrada é também um ato político de afirmação.


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