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Dados que movimentam cidades: como o iFood virou fonte de pesquisa sobre mobilidade urbana

O iFood, gigante brasileiro do delivery, passou a exercer um papel inesperado — e estratégico — na produção de conhecimento sobre mobilidade urbana. Ao processar mais de 100 milhões de pedidos por mês em cerca de 1.500 cidades, a plataforma acumula dados valiosos sobre deslocamentos, horários, rotas e perfis de entregadores. Esses dados, antes restritos ao uso interno, começaram a ser compartilhados com a comunidade acadêmica por meio do Portal de Dados lançado em setembro de 2024. Mas o grande salto aconteceu em novembro, quando o Insper passou a abrigar esse acervo em uma sala segura, permitindo seu uso controlado por pesquisadores autorizados.

A iniciativa é parte de uma estratégia que aproxima universidades e empresas em torno de um objetivo comum: melhorar a vida nas cidades. A partir da parceria entre o iFood e o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, surgiram pesquisas voltadas para políticas públicas mais eficientes e baseadas em evidências. Isso inclui análises sobre segurança viária, condições de trabalho nas plataformas digitais e infraestrutura urbana. Durante o evento “Parcerias que Transformam: Dados e Pesquisa para Cidades em Movimento”, realizado em maio de 2025, especialistas destacaram como o acesso a dados desagregados amplia a compreensão sobre temas até então pouco explorados com base empírica.

A diretora de Políticas Públicas do iFood, Débora Gershon, afirmou que a colaboração com o Insper reflete o compromisso da empresa com a transparência e o incentivo à produção científica. “Estamos contribuindo com dados que ajudam a compreender melhor o trabalho dos entregadores e a dinâmica urbana das cidades. Isso fortalece a formulação de políticas públicas mais eficazes”, declarou. Para além dos aspectos trabalhistas, os dados gerados pela plataforma também permitem investigar padrões de deslocamento, velocidades médias, tempo em rota e os impactos de faixas exclusivas para motocicletas, como as implantadas em São Paulo.

Segundo Adriano Borges, coordenador do Centro de Estudos das Cidades, o uso dessas informações já está transformando o modo como se pesquisa segurança viária. “Sem os dados do iFood, teríamos menos insumos para uma pesquisa robusta. Com eles, conseguimos cruzar variáveis que o setor público não costuma monitorar, como renda por hora trabalhada, horários de pico e variações de velocidade por região da cidade”, explica.

O Insper assegura o rigor e a proteção desses dados por meio de protocolos reconhecidos internacionalmente, como os validados pelo Grampian Safe Haven, da Universidade de Aberdeen, na Escócia. Além disso, cada projeto de pesquisa precisa ser avaliado por um comitê misto, que inclui representantes do iFood, garantindo ética, segurança e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados.

Ao se tornar fonte para a produção de conhecimento sobre cidades, o iFood ultrapassa seu papel de intermediador de entregas. Colabora com a construção de soluções mais inteligentes, baseadas em evidências reais, e fortalece um ecossistema onde academia, iniciativa privada e políticas públicas dialogam por cidades mais humanas, seguras e eficientes. É um exemplo concreto de como dados — quando usados com responsabilidade — podem transformar trajetórias, rotinas e, por que não, carreiras.

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