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Inclusão Digital no Estado de São Paulo

A inclusão digital tem avançado no Estado de São Paulo, mas ainda enfrenta importantes desafios relacionados à desigualdade de acesso e ao uso qualificado da internet. Dados divulgados pela Fundação Seade, com base na pesquisa TIC Domicílios 2024, mostram que 81% das residências paulistas possuem acesso à internet e 83% da população já utiliza a rede. Esses números demonstram uma cobertura significativa, mas escondem disparidades importantes quando se analisam os meios de acesso, as habilidades digitais e os perfis socioeconômicos dos usuários.

Um dado que chama atenção é o crescimento do acesso à internet feito exclusivamente pelo celular, em detrimento do uso combinado com computadores. Esse movimento reflete uma tendência já observada em outras regiões do Brasil, em que o celular se torna o principal, e às vezes o único, dispositivo de conexão à internet. Embora os smartphones ampliem o alcance da rede, seu uso exclusivo pode limitar a experiência digital dos usuários, especialmente quando se trata de atividades que exigem maior capacidade de processamento, edição de documentos ou acesso a plataformas educacionais. A redução da presença de computadores nas residências, portanto, não é apenas uma questão de preferência, mas também de condições econômicas.

A pesquisa também identificou que as habilidades digitais estão distribuídas de forma desigual. Enquanto 59% dos usuários buscam informações sobre produtos e serviços on-line, 57% realizam transações financeiras digitais, impulsionadas por ferramentas como o Pix e por bancos on-line. Apesar desses avanços, metade dos usuários ainda não adota práticas básicas de segurança digital ou de checagem de informações, o que os torna vulneráveis a golpes, fraudes e à desinformação. Apenas 54% dizem utilizar senhas fortes ou outras medidas de proteção, e 50% demonstram preocupação com a veracidade dos conteúdos acessados.

Esses dados revelam que o simples acesso à internet não garante a inclusão digital plena. É necessário desenvolver competências que permitam aos cidadãos utilizar a rede de forma crítica, segura e produtiva. A análise da Fundação Seade destaca que o tipo de dispositivo utilizado, a classe social e o nível de escolaridade influenciam diretamente essas habilidades, indicando que a exclusão digital é, na verdade, um reflexo das desigualdades sociais mais amplas.

Diante desse cenário, torna-se urgente a formulação de políticas públicas que não apenas garantam o acesso físico às tecnologias de informação e comunicação, mas que também promovam o letramento digital da população. Isso inclui desde a ampliação de programas de inclusão tecnológica em escolas e centros comunitários até a oferta de cursos gratuitos voltados ao uso seguro e crítico da internet. A inclusão digital, afinal, é um direito fundamental no mundo contemporâneo e uma condição básica para a cidadania, o acesso à informação, ao mercado de trabalho e aos serviços públicos. Sem ela, corremos o risco de aprofundar ainda mais as barreiras que separam os que têm oportunidades daqueles que estão à margem do mundo digital.

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