Economia da atenção: por que o tempo se tornou nosso bem mais escasso
- Silvana Schultze
- 17 de nov. de 2025
- 2 min de leitura

Vivemos uma era em que tudo compete pela nossa atenção: notificações que pulam na tela, vídeos curtos que disputam segundos do nosso olhar, feeds infinitos que nos fazem deslizar o dedo quase sem pensar. Nesse cenário, o recurso mais valioso já não é dinheiro, tecnologia ou informação — é o tempo. Cada minuto que dedicamos a algo é um minuto que nunca mais voltará, e essa consciência tem transformado profundamente a forma como consumimos conteúdos e tomamos decisões.
A chamada economia da atenção descreve justamente esse fenômeno: um ambiente em que marcas, criadores, empresas e plataformas disputam a capacidade humana de focar. Só que há um limite físico e emocional para isso. Não conseguimos assistir a todos os vídeos, ler todos os artigos, acompanhar todas as notícias. E, à medida que o volume de estímulos aumenta, as pessoas se tornam inevitavelmente mais seletivas.
O impacto dessa seletividade já é visível. Usuários abandonam rapidamente conteúdos que não geram valor imediato. Vídeos longos precisam ser envolventes desde o primeiro segundo. Artigos — mesmo os mais aprofundados — precisam entregar clareza, propósito e linguagem acessível. Nas redes, quem não se comunica com objetividade simplesmente desaparece no meio do ruído. Afinal, por que alguém dedicaria três ou cinco minutos a algo que não conversa com sua realidade, curiosidade ou necessidade?
Essa mudança é também um reflexo da exaustão. A sobrecarga de informação se tornou parte da rotina moderna. Após um dia de trabalho, estudos e obrigações, a mente pede descanso — e a atenção se torna ainda mais difícil de conquistar. Por isso, muitas pessoas agora preferem conteúdos mais curtos, práticos e direcionados. Outras buscam exatamente o contrário: materiais mais profundos e reflexivos, que contrastem com o ritmo acelerado do cotidiano. A seletividade não é apenas sobre duração, mas sobre relevância.
Para quem produz conteúdo, esse cenário traz um desafio enorme — e uma oportunidade preciosa. Em vez de tentar agradar a todos, a chave está em criar algo que realmente importa para um grupo específico. Conteúdo útil, transformador, que resolve dores, inspira reflexões ou ensina algo que a pessoa poderá aplicar no mesmo dia. É nisso que a atenção se fixa: na sensação de ganho, não de preenchimento.
Outro ponto essencial é a autenticidade. Em meio a tantos estímulos, o público reconhece rapidamente o que é raso, repetido ou artificial. Criadores que falam de temas que dominam, partem de experiências reais e se comunicam com honestidade constroem laços que vão além dos algoritmos. Na economia da atenção, confiança vale mais que tendência.
Por fim, é importante lembrar que essa disputa é, no fundo, sobre prioridades. Cada pessoa escolhe onde coloca sua energia, seu interesse e sua curiosidade. E, quanto mais escasso se torna o tempo, mais valioso se torna o conteúdo que consegue, de fato, merecer alguns minutos de presença plena.
No fim das contas, conquistar atenção hoje não é sobre ser mais barulhento — é sobre ser mais significativo.



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