Inclusão digital em São Paulo: acesso cresce, mas desafios persistem
- Silvana Schultze
- 15 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Entre 2014 e 2024, o acesso à internet no Estado de São Paulo avançou consideravelmente, segundo estudo recente da Fundação Seade. A conectividade nos domicílios paulistas aumentou de forma expressiva, impulsionada pela expansão das redes de telecomunicações e pela popularização dos dispositivos móveis. Esse crescimento quantitativo, no entanto, não garante, por si só, a chamada inclusão digital plena.
Apesar de cerca de 80% da população do Estado ser usuária da internet, muitos ainda enfrentam barreiras que comprometem o uso significativo da rede. Ter acesso não significa, necessariamente, poder usufruir de todas as suas potencialidades. Velocidade insuficiente, custo elevado e aparelhos defasados dificultam, e muitas vezes impedem, a realização de atividades essenciais no mundo digital — como estudar, trabalhar ou acessar serviços públicos.
Essas limitações atingem, sobretudo, a população de menor renda e escolaridade, que, em grande parte, depende exclusivamente do celular para se conectar. Essa dependência do mobile, sem suporte de uma conexão estável e sem recursos tecnológicos adequados, impõe um limite claro à experiência digital. A desigualdade, portanto, não está apenas no “estar ou não online”, mas também no “como” e “para quê” as pessoas conseguem usar a internet.
Outro aspecto importante destacado pela pesquisa é o déficit em habilidades digitais. Mesmo entre aqueles que acessam a rede com frequência, ainda é grande a proporção de pessoas que não dominam plenamente o uso das ferramentas disponíveis. Falta letramento digital, ou seja, a capacidade de compreender e utilizar criticamente os recursos da tecnologia. Sem essa autonomia, muitos usuários se restringem ao consumo passivo de conteúdo, sem explorar a internet como instrumento de emancipação social, profissional ou educacional.
Esses dados revelam um cenário em que o desafio da inclusão digital vai além da ampliação do acesso físico à internet. É necessário garantir que esse acesso seja qualitativo, significativo e transformador. Para isso, o estudo da Seade aponta a importância de políticas públicas integradas, com participação ativa do setor privado e da sociedade civil, voltadas à democratização da infraestrutura tecnológica e ao desenvolvimento de competências digitais.
A chamada “década digital” que se inicia precisa ser guiada pela equidade. A internet pode e deve ser um meio de ampliação de oportunidades, mas, para cumprir esse papel, é fundamental que ela não reproduza as desigualdades que já marcam outros aspectos da vida social. Promover a inclusão digital real, com foco em qualidade, acessibilidade e capacitação, é um passo essencial para garantir cidadania plena na era da informação.



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