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Inclusão digital em São Paulo: acesso cresce, mas desafios persistem

Imagem de mãos de crianças segurando figurinhas de pessoas em papel branco.
Imagem de mãos de crianças segurando figurinhas de pessoas em papel branco.

Entre 2014 e 2024, o acesso à internet no Estado de São Paulo avançou consideravelmente, segundo estudo recente da Fundação Seade. A conectividade nos domicílios paulistas aumentou de forma expressiva, impulsionada pela expansão das redes de telecomunicações e pela popularização dos dispositivos móveis. Esse crescimento quantitativo, no entanto, não garante, por si só, a chamada inclusão digital plena.

Apesar de cerca de 80% da população do Estado ser usuária da internet, muitos ainda enfrentam barreiras que comprometem o uso significativo da rede. Ter acesso não significa, necessariamente, poder usufruir de todas as suas potencialidades. Velocidade insuficiente, custo elevado e aparelhos defasados dificultam, e muitas vezes impedem, a realização de atividades essenciais no mundo digital — como estudar, trabalhar ou acessar serviços públicos.

Essas limitações atingem, sobretudo, a população de menor renda e escolaridade, que, em grande parte, depende exclusivamente do celular para se conectar. Essa dependência do mobile, sem suporte de uma conexão estável e sem recursos tecnológicos adequados, impõe um limite claro à experiência digital. A desigualdade, portanto, não está apenas no “estar ou não online”, mas também no “como” e “para quê” as pessoas conseguem usar a internet.

Outro aspecto importante destacado pela pesquisa é o déficit em habilidades digitais. Mesmo entre aqueles que acessam a rede com frequência, ainda é grande a proporção de pessoas que não dominam plenamente o uso das ferramentas disponíveis. Falta letramento digital, ou seja, a capacidade de compreender e utilizar criticamente os recursos da tecnologia. Sem essa autonomia, muitos usuários se restringem ao consumo passivo de conteúdo, sem explorar a internet como instrumento de emancipação social, profissional ou educacional.

Esses dados revelam um cenário em que o desafio da inclusão digital vai além da ampliação do acesso físico à internet. É necessário garantir que esse acesso seja qualitativo, significativo e transformador. Para isso, o estudo da Seade aponta a importância de políticas públicas integradas, com participação ativa do setor privado e da sociedade civil, voltadas à democratização da infraestrutura tecnológica e ao desenvolvimento de competências digitais.

A chamada “década digital” que se inicia precisa ser guiada pela equidade. A internet pode e deve ser um meio de ampliação de oportunidades, mas, para cumprir esse papel, é fundamental que ela não reproduza as desigualdades que já marcam outros aspectos da vida social. Promover a inclusão digital real, com foco em qualidade, acessibilidade e capacitação, é um passo essencial para garantir cidadania plena na era da informação.

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